Muita gente me pergunta qual é o meu processo de desenho, todos já desconfiam que é vetorial, disso eu tenho certeza. É isso mesmo, eu desenho no computador, até aí nada de mais, hoje em dia isso é bem comum, o que talvez cause estranheza, e causa, é eu desenhar com o mouse. Sim, não me acostumei a fazer isso com tablet, então abandonei e fiquei com a ferramenta que melhor me adapto e serve bem para o meu estilo simples de desenho.
Bom, vamos ao processo, só para matar a curiosidade de alguns, o melhor é mostrar com imagens. Como exemplo vou usar a página de hoje do DD, primeiro, é claro, vem um rabisco no papel, faço o esboço com grafite azul 09, costume herdado dos tempos de redação de jornal quando o sistema usado era o fotolito.
Depois do rabisco é escanear e jogar para dentro do mundo dos pixels. Uma vez o desenho na tela é começar a redesenhar por cima, meu esboço é bem tosco mesmo, isso porque eu sei que na hora da finalização vou corrigir e alterar o que eu não gostar ou achar que estava errado como, por exemplo, o tamanho do Demetrius em relação ao demônio.
O que resulta seria a boa e velha arte-final, já com as áreas de preto preenchidas.
Na etapa seguinte é fazer, neste caso, os tons de cinza, tudo é bastante confortável para mim uma vez que estou dentro do mesmo ambiente de trabalho. Meu estilo de colorização é bem simples também, não existe praticamente nenhum degradée, são formas que vão se sobrepondo e formando as massas de cor, dando uma aparência de volume. Essa parte não entra no esboço porque quando penso no desenho ela vai se formando na minha cabeça e à medida que faço, vou decidindo se carrego mais ou menos nos tons. Nesse momento acabam entrando mais detalhes e ainda modificações que eu ache interessante fazer na estrutura, para o bem do desenho.
Feito isso temos a página finalizada, com todos os elementos aplicados, diagramação, balões e textos, em P/B e tons de cinza.
Depois é exportar um JPG, ir para o Photoshop e aplicar um Duotone, salvar na resolução e medida adequadas, e aí ela fica como vocês estão vendo no capítulo de hoje.
Espero que tenham curtido, valeu!

Acho que todo mundo sabe como é quando se assume um compromisso, principalmente quando você o assume consigo mesmo, a cobrança é maior ainda, pelo menos para mim é assim. Fazer uma série semanal, onde não há material de gaveta, onde tudo vai acontecendo, vai sendo criado, vai nascendo a cada momento, é uma experiência revigorante. Mesmo que haja um planejamento prévio, muita coisa nova pode surgir, algo numa conversa que te faz repensar determinado aspecto da história ou uma ideia, a princípio banal, mas que coloca um novo elemento na trama, muita coisa acaba aparecendo no meio do caminho, mesmo ali, na hora em que você vai desenhar de fato isso pode acontecer.
Quando me comprometi com o DD semanal o fiz não apenas porque queria publicar o personagem, fiz porque me instiga essa criação mais imediata.
Nos últimos tempos, no entanto, tem ocorrido certos atrasos com as páginas, não por meu gosto mas por necessidade, novos compromissos se apresentam, compromissos que são interessantes e importantes aos quais, eu também tenho que responder, espero em breve poder mostrar o resultado para todos, não para justificar os atrasos aqui porém na confiança que vocês vão me desculpar.
Este papo não é de forma alguma para dizer que as aventuras de Demetrius Dante vão acabar, não, ele continuará, firme e forte, esse papo é mais uma satisfação aos amigos e leitores fiéis do personagem, e muito para agradecer compreensão de vocês.
Logo mais também vamos divulgar novidades aqui no Petisco, novidades que, acredito, vão agradar a todos os que seguem este blog, mas isso é outra história.
Valeu!
Will

Em 1989 eu começava a trabalhar profissionalmente como ilustrador, numa pequena editora no centro de São Paulo. Sempre fui um leitor de quadrinhos, desde que me entendo por gente, como se costuma dizer. Minha mãe lia para mim antes de eu aprender sozinho. Estando no centro da cidade ficou mais fácil de frequentar uma livraria chamada Muito Prazer, que ficava ali na Avenida São João no número 735. Para quem é desta época ou conheceu o lugar, sabe que lá era o point para encontrar os mais variados quadrinhos, era um santuário para Nona Arte e os aficcionados por ela. Pois foi ali, neste ano de 1989, que eu “descobri” a Garagem Hermética e o seu genial criador, MOEBIUS!
De verdade mesmo o que eu comprei foi o Major Fatal, uma edição da L&PM, em preto e branco, só depois é que fui saber o que era a tal “garagem”. Não sei se esta HQ já havia se tornado uma referência, naquele momento eu só sabia que havia encontrado um estilo de desenho fascinante. Fiquei encantado com aquele traço, ora realista ora caricato, as hachuras, o enquadramento, páginas as vezes com dois quadros apenas e outras com 18 quadrinhos, eram de encher os olhos, a mente e o coração com aquelas viagens.
A introdução, assinada pelo próprio, explicava o processo de feitura daquela história, daí entendemos as diferenças estéticas e as vezes a quebra no rítmo narrativo mas não importava, estava ali um desenhista para ser apreciado, estudado e colecionado. No ano seguinte eu tive contato com a outra faceta da arte de monsieur Jean Giraud, agora assinando como GIR, o Tenente Blueberry, em uma publicação da Editora Abril, a hoje clássica série Graphic Novel nº 21. Confesso que com o passar do tempo acabei sendo mais fã de Moebius do que de Gir.
A vida foi correndo e eu pude conhecer e adquirir outros tantos trabalhos do mestre francês, não tenho todos os que eu gostaria de possuir mas os que tenho me fizeram feliz. Fui sabendo, aqui e ali, das grandes realizações de Moebius tanto nos quadrinhos como no cinema. No entanto a vida continuou sua corrida, pela grandeza da sua obra infelizmente pouca coisa foi publicada no Brasil, mas Moebius é um ícone, não há como esquecê-lo mesmo não tendo quadrinhos novos para ler. Nas reviravoltas desta mesma vida, depois de décadas, a Devir finalmente publicou o Incal e no ano passado a Editora Nemo entrou com força e iniciou uma coleção para as principais obras do quadrinista.
Porém, de novo, a vida corre e agora ele se foi, cada um professa sua crença e pode imaginar o que quiser como destino para este ser humano extraordinário. Foi, nada mais de desenhos novos, nada mais de Arzach e de tantos outros universos inexplorados e complexos. Nada mais de Major Fatal, Jerry Cornelius, Lady Malvina, Jonh Difool e de Meta-Barão. Acreditemos no que quisermos, foi para onde tinha que ir, espiríto iluminado que nos proporcionou momentos de encantamento, diversão e sonhos.
Eu prefiro acreditar que ele está bem tranquilo e feliz à bordo do Ciguri.
Boa viagem Major Moebius!

Quando chegou o momento de ter uma nova história do Demetrius Dante aqui no Petisco eu sabia que queria incluir nela a Cassandra, a irmã policial, porque a trama trataria de uma série de assassinatos, aparentemente sem conexão mas, que pelo elevado número, seriam excepcionais e com certeza a policia teria que se envolver. Mas só a Cassandra seria pouco eu precisaria de outros.
Já tinha mesmo promovido um dos “encontros” do DD com a Verônica, personagem do Laudo Ferreira, da mini-série Depois da Meia-Noite, porque então não pedir pra usar também o delegado Janus e, estando ele presente porque não também o policial Lenon???
Então é isso que está acontecendo aqui, um resgate/homenagem a estes personagens. Não é simplesmente uma apropriação de personagens prontos para usar, faço isso porque gosto muito dessa mini-série, um dos melhores quadrinhos independentes, da dupla Laudo e Omar, que li em 2008, até hoje aguardo que eles a retomem.
Para quem não leu, eu recomendo, de novo, e adianto que outros personagem da mini deverão aparecer também.





















