Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, nós do coletivo Petisco em conjunto com o coletivo Fictícia estamos publicando, simultaneamente e de forma gratuita, a HQ “Pão e Rosas”. Com roteiro de Hector Lima (Sabor Brasilis), arte de Mario Cau (Dom Casmurro, Terapia) e letras de Pablo Casado (Mayara & Annabelle), trata-se de uma versão romanceada da “Greve do Pão e Rosas”. É como ficou conhecido um dos eventos mais marcantes da luta pela melhoria de condições de trabalho. 

Em Janeiro de 1912, uma greve de cerca de 20 mil trabalhadores da indústria têxtil parou a cidade norte-americana de Lawrence, Massachusetts, por mais de dois meses. Ninguém acreditava que crianças e mulheres, em sua maioria imigrantes que se submetiam a condições terríveis, conseguiriam se organizar em protesto a um corte de salário.

“O Dia Internacional da Mulher não foi criado a partir de um fato único,” diz o roteirista Hector Lima, “mas a partir de vários eventos que refletiam uma insatisfação das mulheres trabalhadoras. O oito de março é uma data comum a várias greves de tecelãs pelo globo (União Soviética, Estados Unidos e vários países da Europa) em movimentos de orientação socialista e anarquista”.​

Sobre a pesquisa visual, Mario Cau comenta: “Algumas imagens vieram da pesquisa do Hector para o roteiro. Encontrei referências pela internet, como a Ayer Mill, e imagens da polícia de lá barrando manifestantes. Além disso, já vinha pesquisando a arquitetura e vestuário de época para Dom Casmurro. Enquanto ia planejando as páginas, achei interessante dividir o flashback da greve e o depoimento de Camella em cores, feitas com ecoline. Isso enfatiza também os ânimos, com a greve fervilhando e o depoimento calmo e contido de Camella.”​

Segundo o roteirista, a greve de Lawrence foi uma das mais marcantes pela duração, quantidade de mulheres e crianças, além da atenção que gerou para a desigualdade de gênero – um tema que ressoa com os quadrinistas: “Tanto para mim quanto para o Mario e o Pablo Casado é importante mostrar com naturalidade personagens femininas tridimensionais”, ressalta Hector. “Sempre convivi com mulheres trabalhadoras que precisaram lutar por condições melhores. Historicamente os homens levam créditos por várias conquistas, mas não precisa ir longe: a mulher brasileira ainda trava essas lutas todos os dias”.

Mario completa: “Eu me sinto triste e frustrado ao ver que em 2015 ainda existem a cultura e instituição machistas. Não deveria haver diferença alguma entre as pessoas. Fala-se de igualdade, mas muitas pessoas nem sabem que podem agir e pensar diferente! Hoje, tanto quanto antes, é preciso encarar isso com seriedade e sensibilidade, sem pensamentos retrógrados. Seja em relação ao espaço da mulher, do negro, do gay, do imigrante… qualquer um. Espero que nossa HQ sirva também como momento de reflexão sobre tempos melhores para todos, sem exceção.”

Se preferir ler Pão & Rosas no site da Fictícia, segue o link: http://bit.ly/1G4mTFI