A página de hoje foi bem interessante de compor. No roteiro, ficou estabelecido que nosso amigo estaria numa cela escura, e as palavras que definiriam seu sentimento estariam escritas nas paredes, como pixações ou aquelas barrinhas de contagem de dias, clássicas de celas de prisão.

Mas enquanto eu ia esboçando, cada vez mais sentia a necessidade de explorar melhor a metáfora da prisão. Lembrei de uma história minha, antiga, que nunca chegou a ser finalizada (daquelas que, no começo dos esboços, está completa e faz sentido, mas lá pro meio da brincadeira, perde-se o fio da meada e não se lembra mais qual era o objetivo mesmo).

Nessa HQ, um personagem estaria preso numa cela escura, mas as barras da cela, mostradas em close num determinado momento, seriam feitas de palavras e frases.

Aproveitei essa ideia, e tentei emular um pouco do mestre Will Eisner, usando a palavra “APRISIONADO”, que era a principal, como as barras da cela. Logo depois a ideia de fazer a sombra das barras, projetadas no chão, sendo metade dessa palavra…

Depois, por que não, usar as outras palavras como sendo tijolos, que comporiam aquelas paredes, uma sobre a outra, mas deixando a coisa não tão óbvia assim. Usando um tipo de “fonte” mais gordinha, com os espaços abertos pequenos, e as palavras bem coladas, numa primeira olhada pode parecer que são só buraquinhos numa parede de pedra ou tijolo.

E na verdade, são as palavras.

Aqui disponibilizamos a versão em PB dessa página, onde fica bem na cara a influência de Eisner nas barras, e talvez facilite a leitura das palavras das paredes.

Pag. 32 - Esboço 01

Pag. 32 - Esaboço 02

Pag. 32 - Esaboço 03

Pag. 32 - Esaboço 04

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