Essa página foi uma das mais legais que eu já desenhei. Não só pelo conteúdo dramático, linkado às anteriores (e às posteriores, aguardem!), mas pelo jogo de metáforas visuais, algo que eu adoro. Sempre que possível, gosto de trabalhar com essas metáforas nas minhas HQs. Quando chegou neste momento de Terapia, eu sabia que se eu mostrasse nosso personagens na sala, normalmente conversando, o impacto seria bem menor. Surgiu aí a ideia do Rob e da Marina de usar uma tabuleiro gigante, onde o menino estaria inserido.

Essa ideia acabou entrando nas páginas anteriores, como uma preparação para esta. Aqui, não só o rapaz está lá, como as peças do seu “time” também chegam para compor o tabuleiro. E, com a ideia de “peças” chegando, e de que o rapaz se considera um peão num jogo de xadrez, por que não fazer as peças humanizadas?

Já cansamos de ver em filmes, desenhos e games peças de xadrez com formas que remetem a, ou são diretamente ligadas, suas contrapartes “do mundo real”: Reis, Rainhas, cavalos, bispos… Até as torres.

Mas claro que desenhar um Rei, uma Rainha, com uma estética mais próxima do personagem não daria o mesmo impacto. Eu não queria “pessoas”, queria “peças” mesmo. Então veio a ideia de estilizar as peças, usando muito da influência do Mike Mignola, autor de Hellboy. Traço mais duro, sem modulação, feito na caneta. Sombras pretas chapadas e nada de volume ou luz e sombra neles, apesar de o cenário e o rapaz terem.

O mais engraçado é que eu não lembrava que isso tinha sido meio que usado em Harry Potter. Quando fui lembrado disso, a página já estava desenhada e as peças já tinham sido definidas.

Queria deixar um agradecimento especial ao Sr. André, avô da Marina, que, numa tarde preguiçosa de esperas, em que eu comecei a layoutar as páginas do terceiro capítulo, me ensinou várias coisas sobre xadrez, que eu não sabia ou não lembrava, e me ajudou muito a compor toda essa metáfora. Além, claro, de me contar boas histórias no meio disso… À Fran, também, que viu essa ideia e deu bons comentários, inclusive dizendo que eu “precisava trabalhar melhor o cavalo” (e era verdade). E um agradecimento ao Thadeu, grande amigão, que também me deu umas dicas sobre posicionamento de peças…

Outra curiosidade dessa página é que, enquanto eu estava desenhando, a ideia era fazer o menino ser do time branco, e os inimigos, que chegam no último quadro, serem do time preto. Bom, sempre se liga o branco ao bem, o preto ao mal, enfim. Coisas de Darth Vader. Mas como bem lembrado pelo Rob, o time branco sempre dá o primeiro movimento, e esse rapaz não “ataca” primeiro. Ele só reage. Então, seria mais coerente com sua personalidade se fosse do time preto, para “reagir” ao ataque do branco.

Mas quem é o time branco…?

Segue abaixo uma série de estudos, desde o layout da página, até as ideias de como resolver as peças. Sinceramente, eu adoraria ver mais ação com elas, vê-las em mais detalhes. Quem sabe em partidas futuras?

Esboços de Terapia por Mario Cau.

Peças de Xadrez 01 - Mario Cau.

Peças de Xadrez 02 - Mario Cau.

Peça de Xadrez - Mario Cau.

E, claro, não seria muito legal ter um jogo de verdade com peças assim? ;)

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