Por Rob Gordon:

Aconteceu meses atrás.

Era quarta-feira e uma página nova de Terapia havia entrado no ar. À tarde, peguei um comentário no Twitter de um leitor afirmando que se identificava muito com as dúvidas do personagem central. Minutos depois, outro leitor respondeu esta mensagem, dizendo que não apenas sentia o mesmo, como este sentimento aumentava a cada página.

Eu respondi aos dois que ficava muito feliz em ler aquilo. E fui sincero, da mesma forma que sou sincero agora, ao dizer que adoraria lembrar quem eram os leitores e qual era a página em questão, mas não consigo me recordar.

Mas me lembro de que, neste dia em especial, eu senti muito orgulho.

Não é segredo para ninguém que, desde que a primeira página entrou no ar, eu sou totalmente apaixonado por este trabalho. Como leitor de quadrinhos desde a infância, roteirizar uma HQ é quase um sonho; e, como escritor, é quase mágico ver algo que crio ganhar formas e cores a cada página nova.

Até este dia, creio que eu estava mais concentrado em aprender a escrever uma história em quadrinhos que na história em si. Estava aprendendo a costurar todos aqueles diálogos com a arte, descobrindo o que funcionava e o que não funcionava na narrativa (eu falei sobre isso nesta entrevista em áudio).

Mas foram estes dois comentários que me mostraram: a coisa estava funcionando. Eu podia estar apenas “aprendendo” a escrever uma HQ, mas as pessoas estavam lendo de verdade! E melhor ainda, elas estavam gostando do que liam – porque, sejamos sinceros, ninguém fala (ainda mais em público) que se identificou com o personagem de uma história ruim.

Já havíamos visto diversas pessoas elogiando as páginas novas quando elas entravam no ar, ou outras tanto nos cobrando por páginas novas nas primeiras horas da quarta-feira. E isso sempre já nos enchia de orgulho. Mas, no momento que alguém se identifica com o personagem que você ajudou a criar, bem… Aí é um caminho sem volta. Aí que você percebe que talvez as coisas estejam no caminho certo.

E aparentemente, estavam.

Continuamos a receber elogios – não apenas de leitores, mas desta vez em sites especializados, blogs e podcasts – e a ganhar cada vez mais fãs. A HQ começou a bombar de uma forma mais intensa que havíamos imaginado.

Mas as coisas decolaram de vez quando semanas atrás, fomos indicados ao HQMix, na categoria Melhor WebComic.

E aí eu senti mais orgulho ainda.

Afinal, trata-se do maior prêmio brasileiro de quadrinhos. Entre tantas HQs ótimas que circulam pela internet, a nossa acabou sendo escolhida como uma das finalistas. E isso no nosso “primeiro ano”.

E, agora, é com mais orgulho ainda, que faço este anúncio:

Terapia ganhou o troféu HQMix!

É nosso!

A lista dos vencedores foi divulgada hoje e Terapia está lá, ao lado de obras do quilate de Macanudo e Um Sábado Qualquer. E nossos nomes estão lá, junto de gente do calibre de Angeli, Fábio Moon, Gabriel Bá e André Diniz.

Sim, eu quase decorei a lista, porque já olhei a relação dos premiados oito vezes desde que ela foi publicada, para ter certeza do que vi e de que não estou sonhando.

Enfim, passaram-se meses até eu cair na real que estava escrevendo uma história em quadrinhos de verdade, e perceber que as pessoas estavam gostando de Terapia mais do que poderíamos imaginar – ou, ao menos, do que eu poderia imaginar. Agora, eu preciso de mais alguns meses eu entender que Terapia tem, agora, um HQMix na prateleira.

Mas, mesmo antes da ficha cair, quero agradecer algumas pessoas.

Em primeiro lugar, meus parceiros.

Marina Kurcis, minha companheira de roteiro é a “verdadeira psicóloga” do personagem central. É ela que faz a parte mais difícil do roteiro: torna as conversas entre o Garoto e o Terapeuta em algo real.

Mario Cau, que consegue dar vida, de forma genial, a tudo o que eu e a Marina colocamos no papel, criando um universo que – seguindo nossas instruções ou mudando tudo para melhor – ilustra exatamente o que queríamos com o roteiro.

A grande honra não é receber o prêmio, mas sim dividi-lo com vocês dois.

Não posso deixar de falar também da minha esposa. Sem ela, nada disso seria possível. Afinal, mais que uma inspiração, ela é meu alicerce.

Porque, vamos ser sinceros, não deve ser fácil ser casada com alguém que escreve. Hoje ela é casada com o cara que escreve uma HQ premiada, na maior parte do tempo ela é casada com o sujeito que se irrita quando não consegue terminar um texto, e que procura ideias para crônicas o tempo todo. E em qualquer uma destas situações, ela mostra um amor do tamanho do mundo, sendo leitora na hora certa, sendo esposa na hora certa. Não sei como ela faz isso, mas ela faz. E faz como ninguém.

E, claro, à equipe do Petisco, que sempre forneceu todo o suporte para que Terapia fosse o sucesso que é hoje, ajudando com a divulgação e dando todo o apoio que precisamos.

Por fim, gostaria de mais que agradecer, dedicar este prêmio aos leitores de Terapia. São todos vocês (especialmente aqueles que acompanham a história desde suas primeiras páginas) que nos ajudam, a cada semana, a construir uma HQ cada vez melhor, elogiando, palpitando, criticando – e, principalmente, divulgando para os amigos.

Esse prêmio é de vocês também.

Muito obrigado!

Aliás, acabei de ler a lista dos premiados pela nona vez. Não é que nosso nome continua lá?