Oi pessoal! Aqui é a Marina, como estão?

Ontem seria aniversário de Freud (nascido em 06 de maio de 1856 em Freiberg, na Moravia – antigo Império Austríaco, atual República Checa, falecido em 23 de setembro de 1939, no Reino Unido). Muitas pessoas têm compartilhado nas redes sociais citações e textos sobre a importância do pai da Psicanálise, mas aqui compartilho um relato um pouco mais pessoal. 

Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer que não publico textos aqui propositalmente. Como minha profissão demanda vínculo com pacientes, sigilo e discrição, prefiro não expor opiniões pessoais nem coisas relacionadas a minha visão de mundo, para não comprometer o processo terapêutico, caso algum paciente venha a ler.
 
Hoje, entretanto, optei por comentar um pouco sobre um dos textos de Freud que me tocou profundamente e me ajudou a tomar consciência da importância da Psicanálise como forma de entender o mundo, o ser humano e entender a mim mesma. Não sou psicanalista, mas acredito que, como psicóloga, seja impossível não ter influências desta linha tão ampla e rica!
 
O livro se chama “O mal-estar na civilização”, publicado em meados de 1930.
Dentre muitos conceitos importantes e até mesmo belos (como o sentimento oceânico), o que mais me chamou a atenção foi a abordagem de Freud em relação à culpa. Segundo ele, a culpa é o mais importante problema no desenvolvimento da civilização. É intensificado em decorrência do processo civilizatório, causando perda da felicidade. Em grande parte, o sentimento de culpa permanece inconsciente ou aparece como uma espécie de mal estar, uma insatisfação para a qual as pessoas buscam outras motivações (religião, por exemplo). 
 
“O que chamamos de felicidade no sentido mais restrito provém da satisfação (de preferência, repentina) de necessidades represadas em alto grau, sendo, por sua natureza, possível apenas como uma manifestação episódica. […] Somos feitos de modo a só podermos derivar prazer intenso de um contraste, e muito pouco de um determinado estado de coisas” (p. 84). 
“Goethe, na verdade, adverte-nos de que ‘nada é mais difícil de suportar que uma sucessão de dias belos’. Mas isso pode ser um exagero”.
Não me estenderei nas explicações para não ficar pedagógico demais, porém espero ter instigado a curiosidade de vocês a ponto de se disponibilizarem a entender que culpa e que mal estar são esses! Esse livro foi fundamental na minha formação, na medida em que, partindo do olhar para o indivíduo, se pudesse ampliar o entendimento da sociedade, da civilização. É mesmo belíssimo! Outras leituras recomendáveis são os relatos de casos de neuroses (Anna O., O homem dos ratos, entre muitos outros), que são relativamente fáceis, fluem, prendem a atenção e são interessantíssimas!
 
Vielen Dank, Herr Freud!