Esta é uma das páginas que mais deu trabalho para conceber e executar. Precisávamos de um baque, um momento de choque pro leitor e pro nosso Garoto, pra desviar da narrativa suave e do momento agradável que tivemos na última página, quando o discurso de orador do Terapeuta em sua formatura se transforma em sua fala para o Garoto, seguida da incorporação pelo último de sua persona blues mais uma vez.

Pois é, mas os sonhos são assim, estranhos.

A referência que usei para compor a página vem diretamente do excepcional álbum The Wall, da banda Pink Floyd, que apesar de não ser blues, tem exatamente o tom que precisava. Pesquisei elementos, inclusive, do filme The Wall, uma baita viagem visual e musical. Nosso objetivo era mostrar o mundo corporativo e/ou escolar como algo massacrante e homogeneizador de pessoas (bom, é isso mesmo).

Para essa sensação bizarra e pesada, usei três texturas diferentes pras crianças… Paredes descascando, metal apodrecendo e madeira velha. Carinho especial pelo tiozão muito louco ao fundo e pelo planetoide no céu, todo trincado e desfeito.

Existem alguns eater eggs aí. Notaram as suas lápides no cenário? São de dois blueseiros, cujos primeiros nomes deram origem ao nome da banda Pink Floyd: Pink Anderson (1900-1974) e Floyd Council (1911-1976).

Falta só mais uma página pro final do Capítulo 10. Vocês estão preparados? O que acham que vai acontecer?