Oi, pessoal! Enfim, página nova!

Gostei muito de desenhar e colorir essa. Às vezes, eu só chego a uma conclusão sobre o estilo do desenho, finalização, cores e recursos diversos no meio da colorização. Mas como a página anterior estabeleceu a texturada caixa de papelão, e as cores foram todas dessaturadas, segui a mesma proposta. Só que, para revisitar a memória do Garoto, fui na contramão: cores fortes, e uma pintura que lembra um traço mais infantil (além, claro dos desenhos de crianças voando pela página).

Nesse tipo de colorização, onde as cores são mais ou menos as mesmas e o contraste fica menor, é preciso tomar um cuidado pra não deixar os desenhos perderem o impacto. No primeiro quadro, por exemplo, o rosto do Garoto está com o traço mais claro do que a caixa em volta, e a luz amarelada ajuda a estabelecer o contraste entre ele e a moldura. Algo parecido ocorre de leve no último quadro, quando a mancha preta do fundo vai ficando marrom.

O processo de colorização permite várias experiências, especialmente no digital (santo CTRL+Z!). Assim, é possível ter várias ideias e testar tudo, até chegar onde se quer. Algumas vezes, sabemos exatamente o que queremos ali, e procuramos um caminho. E, às vezes, as coisas acontecem e funcionam por acidente. Mas, em volta de tudo isso, é preciso ter um repertório estilístico, imagético, técnico. Contar com a “sorte” sempre não é muito bom nesses casos. E como se expande o repertório…? Bom, treinando e experimentando muito.

A inserção de azul, no último quadro, ajuda a dar uma quebra na narrativa, por estabelecer um contraste frio e complementar aos amarelas e marrons que estavam conduzindo a página até então.

Fechamos com aquela folha de papel, mais uma vez. E logo vocês vão saber do que se trata. Alguém arrisca o que é?